KARATE-DO

Segundo os historiadores modernos, as origens do Karate-do podem ser rastreadas até o século VI, quando na China um monge chamado Bodhidharma começou a ensinar uma série de exercícios para os monges do templo Shaolin, localizado na província de Henan. Conforme a lenda, os monges eram fisicamente fracos devido ao longo período que se entregavam a prática da meditação. Os exercícios ensinados por Bodhidharma tinham por objetivo fortalecê-los fisicamente, bem como para dar condições que eles fossem capazes de deferem-se de bandidos e criminosos.

 

O sutra desenvolvido e ensinado por Bodhidharma era chamado “Ekkin-kyo” e acredita-se que tenha sido a origem do Shaolin-quan (punhos de Shaolin). Não obstante, infelizmente, nada a respeito desta parte da história do Karate-do é muito claro, devido a falta de documentação, esta relação permanece imprecisa, beirando o status de lenda ou ainda de conexões teóricas imaginárias, que não podem ser comprovadas.

 

Antigamente, não havia proibições do porte de armas e, sendo assim, era muito comum que houvesse sistemas de lutas que as utilizavam. Aliás, é normal encontrar nas mais diversas culturas, orientais e ocidentais, métodos de combates que utilizam espadas. O Japão, por exemplo, é muito conhecido pela habilidade de seus Samurai, que foram uma classe social até o final do século XIX. Os Samurai seguiam um código de honra conhecido como Bushido que foi, segundo consta, desenvolvido em meados do século XVIII. O uso efetivo da espada era algo essencial para os Samurai, sendo assim, os guerreiros praticavam diariamente e portavam sua espada durante o cotidiano, sendo esta um símbolo de sua classe social.

 

No que tange a influência chinesa, foi no final do século XIV que as artes marciais chinesas, oriundas de intercambio cultural, passam a influenciar de forma mais evidente o desenvolvimento do Karate-do.

 

Neste período ocorrem dois fatos históricos que terão grande reflexo no desenvolvimento da arte marcial de Okinawa. Primeiro, no reinado do rei, de Chuzan, Sho Hashi foi promulgado uma lei que proibia o porte de armas por parte dos habitantes de Okinawa. E, alguns anos depois, no século XVI, acontece a invasão do arquipélago pelo clã Satsuma, do sul do Japão, que passa a utilizar Okinawa como ponto estratégico para realização de comércio com os países vizinhos, e mantém a proibição do porte de armas.

 

São estes dois acontecimentos principais que vão motivar os habitantes do arquipélago a desenvolver “secretamente” técnicas de defesa pessoal desarmada e, da mesma forma, técnicas nas quais utilizavam seus implementos agrícolas para a execução de métodos de combates. Ambos os sistemas formavam o que na época era conhecido como “Te”, que hoje é traduzido como “mãos”, mas que no período passavam a ideia de técnicas ou métodos de combate. Tais métodos foram mesclados com as técnicas de combates vindas da China, que nas ilhas era conhecido como To-de, ou “técnicas de Tang”, “técnicas da China”.

 

Em 1868, começou a era Meiji e com ela muitas mudanças na sociedade japonesa. O Japão se abriu para o livre comércio com os países ocidentais o que fez com que a cultura, os métodos industriais e o sistema educacional do ocidente florescessem no Japão. Este processo entrou para a história como a “restauração Meiji” que além das coisas já mencionadas terminou com sistema feudal japonês, criando um sistema de governo centralizado, acabando com a classe dos Samurai e trazendo para dentro do Japão leis e valores ocidentais. Em pouco tempo, tais mudanças acabaram por abolir o uso tradicional da espada e o uso dos cortes de cabelo exclusivos dos Samurai, fazendo com que os japoneses começassem a utilizar cortes de cabelos ocidentalizados, bem como a usar vestimentas ocidentais.

 

Cabe lembrar que neste período não havia estilos, nomes, graduações ou faixas como no Karate-do moderno. A única identificação que se tinha era o nome do mestre com o qual se treinava ou ainda o nome dos Kata que ele ensinava.

 

Em determinado momento da história do Karate-do, por questões políticas, as distinções das diferentes formas de se praticar a arte também foram identificadas pelos locais onde as técnicas eram praticadas. Como as três principais cidades de Okinawa nesta época eram Shuri, Naha e Tomari surgem aqui as distinções Shuri-te, Naha-te e Tomari-te.

 

Obviamente, é necessário entender que os métodos de ensino da época não têm a ver com os sistemas que conhecemos hoje. Havia apenas alguns Kata, em localidades diferentes, que eram aprendidos, desenvolvidos e ensinados. O número de pessoas envolvidas com a prática era muito pequeno e as coisas, na maioria dos casos, se davam de forma particular. Foi somente depois que o “Karate” (To-de) foi levado a Tóquio, capital do Japão, por Gichin Funakoshi, em 1922, que a arte passou ter mais notoriedade e despertou interesse pelo público em geral. Os ensinamentos de Gichin Funakoshi originaram, com o passar do tempo, e depois de muitas alterações, o sistema moderno conhecido como Shotokan.

 

Na sequencia deste período, alguns dos mais proeminentes mestres de Okinawa começaram a chegar às ilhas principais do Japão, entre eles; Kenwa Mabuni, fundador de Shito-ryu, e Chojun Miyagi, fundador da Goju-ryu. Embora, nesta época, Okinawa já fosse parte formal do Japão, devido sua história e localização remota os seus habitantes eram considerados como colonos, camponeses, e eram discriminados pelos japoneses.

 

Em meados dos anos 1920, começou o desenvolvimento do sistema que viria a gerar o Karate-do atual, obviamente baseado nas formas primitivas oriundas de Okinawa. Contudo, foi apenas na metade da década de 1930 que as autoridades que regulavam as demais artes marciais japonesas revindicaram que os mestres de “Karate” (To-de) fossem mais específicos sobre suas metodologias de ensino, surgindo assim os primeiros nomes oficiais e a separação da arte por estilos. Foi nesta época que Chojun Miyagi, discípulo de Kanryo Higaonna, nomeou seu estilo como Goju-ryu (estilo suave e forte) e, da mesma forma, Kenwa Mabuni batizou seu estilo como Shito-ryu (em uma homenagem a seus dois principais mestres, Itosu e Higaonna). Cabe ressaltar, que Chojun Miyagi e Kenwa Mabuni eram grandes amigos e foram os responsáveis pela criação de muitas das técnicas básicas até hoje praticas dentro do Karate-do.

 

A atual forma da prática de Kumite foi influenciada por outras artes marciais japonesas, entre elas o Ju-jutsu, Judo e o Kendo. Importante frisar que até meados da década de 1930 a prática do Karate-do estava unicamente baseada no aprendizado, no entendimento e na aplicação das técnicas dos Kata.

 

O termo Karate-do, utilizado atualmente, foi influenciado pelo Zen-budismo, segundo a convicção de Gichin Funakoshi no momento da reformulação do nome da arte que passou de To-de para Karate e, logo após, para Karate-do, sendo Kara (vazio), Te (mãos) e Do (caminho). O Do, ou caminho, que não fazia parte do nome original da arte é um sufixo que indica o fato de que as artes marciais japonesas tem o objetivo de formar indivíduos uteis a sociedade, trazendo uma ideologia que transcende o simples aprendizado e desenvolvimento de habilidades físicas.

 

Embora Gichin Funakoshi não gostasse da ideia das competições, foram seus alunos nas universidades que desenvolveram os métodos que se tornaram as bases para os sistemas de torneios atuais. Os mestres de Okinawa nunca cogitaram a hipótese de competir uns com outros. O pensamento vigente em Okinawa era de que as técnicas do Karate-do eram muito perigosas para a realização de torneios. Não obstante, a primeira competição moderna de Karate-do foi realizada no final da década de 1950, logo após a morte de Gichin Funakoshi.

 

Atualmente, o Karate-do é praticado como arte marcial, como esporte, e continua a ser desenvolvido em todo o mundo.

(fonte: http://shitoryubrasil.com.br/Site/karate-do/. Acesso em: 10 mar. 2019)

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